segunda-feira, 13 de abril de 2009

Era uma vez na tv (O Sheik de agadir 1966 a 1967)

Ums do primeiros sucessos da então novata tv globo canal 4 no Rio foia novela "O Sheik de agadir".
Na época de sua exibição, os produtores eram os próprios patrocinadores. Eles compravam o horário para exibir suas tramas e tinham um departamento próprio de telenovela, comandado por Glória Magadan. Foi então que, a Colgate-Palmolive, em 1967, passou a patrocinar a novela das 21h30m, da TV Globo. Que teve 155 capítulos. (em São Paulo esta novela passou na tv Paulista canal 5.)
Baseada no romance “Taras Bulba”, de Nicolai Gógol, a autora, Glória Magadan, desenvolveu sua trama.
A história girava em torno do conturbado triângulo amoroso formado pelo Sheik Omar Ben Nazir (Henrique Martins) – detalhe: era um Sheik louro e de olhos azuis -, a jovem Janete Legrand (Yoná Magalhães) e o oficial do exército francês Maurice Dummont (Amilton Fernandes). Como se pode ver era uma coisa “bem brasileira”.
Enquanto isso misteriosos assassinatos aconteciam. As vítimas eram estranguladas e o criminoso passou a ser conhecido como “O rato”.

Mas apenas um par de luvas negras aparecia em cena, geralmente estrangulando alguém e sobre o corpo das vítimas era deixada uma tarântula negra.
Portanto, o famoso Rato, pode ser considerado o primeiro “serial killer” da TV brasileira.
Na época, a Globo chegou a fazer um concurso para ver se o público descobria a identidade do criminoso.
Mas ninguém matou a charada. Nos últimos capítulos, então, foi feita a tão aguardada revelação: “O rato” na verdade era uma mulher - a princesa árabe Éden de Bassora (Marieta Severo).
O ano da novela (1967) foi também o da minha estréia no teatro e no cinema. O maravilhoso das histórias dessa época é que não tinham qualquer compromisso com a realidade. Mesmo não tendo o menor físico para matar, por enforcamento, aqueles agentes nazistas, a Éden foi a personagem escolhida para ser o misterioso Rato. Antes da verdade ser revelada, ela já fazia todo tipo de maldade contra o personagem da Yoná. Para completar, fingia que andava de cadeira de rodas pelas areias do deserto (na verdade, as dunas da Restinga da Marambaia, na Barra) para poder agir. Esta foi a minha primeira vilã - lembrou a atriz.
Já o ator Sebastião Vasconcellos, com barba e bigode vasto, acabou fora da novela, como vítima do Rato, porque La Magadan, que era uma exilada cubana, o achava o ator parecido com Fidel Castro.
Enquanto Leila Diniz, a “eterna musa de Ipanema” parecia como a espiã nazista Madelon.
Curiosidades: Os personagens nazistas ganharam a antipatia do público. Emiliano Queiróz, que vivia Hans Stauben, foi agredido por uma espectadora enfurecida numa loja de departamentos em Copacabana.
Henrique Martins comentou: "Vivemos todos, durante 10 dias, na restinga da Marambaia, local escolhido para simular o deserto. E parecia um deserto mesmo, com temperatura de 40 graus durante o dia e um frio terrível à noite. Além disso, faltou água... Uma forte desinteria atacou todo mundo. O que salvou foi o bom humor da equipe e o espírito de solidariedade que existia entre todos. Amilton Fernandes, por exemplo, que era o grande astro, ensaiava figurantes nos intervalos das gravações, sem nenhum estrelismo. Foi ele, inclusive, que me dublou nas cenas em que o sheik cavalgava. Gostei muito de dirigir a novela e interpretar o sheik, apesar de não acreditar em sheik louro de olho azul... Era o texto certo para a época certa. Mas, se formos avaliar com os olhos de hoje, então vamos achar tudo um folhetim, um dramalhão".
No elenco Mario Lago (Otton von Lucken), Márcia de Windsor (Frieda), Yara Lins, Sílvio Rocha, Luís Orioni, Angelito Mello, entre outros.
sem duvida esta novela foi começo de vitorias da novata tv globo quem começou a brigar pelo 1 lugar de audiencia.

Um comentário:

Samuel Matos disse...

Ah! que grata lembrança !

Na época a Emissora não possuia unidade móvel e contou com a parceria do Touring Club do Brasil, onde eu trabalhava aos dezesete anos.
Para a Restinga da Marambaia deslocamos o veículo do Setor de Rádio para possibilitar a comunicação do local até o Morro do Sumaré e deste para o Estúdio.
Fazendo parte do grande acampamento improvisado no local, me instalei na então Pick Up Willis de onde operava os radios e até dormia .